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A Intermitência do Livre Arbítrio
<> segunda-feira, 10 de março de 2014 // 13:18

 
A culpa assombra. Pesa sobre os ombros e pode facilmente destruir um homem. Culpa por tudo o que fez, que disse. Mas só pode se sentir arrependido aquele que escolheu.
Nietzsche me contou certo dia que o livre arbítrio é uma lenda. Disse que o ser humano não tem liberdade de escolha, que, não, você não é livre para escolher entre parar de ler ou continuar.
Deixe-me explicar.
O ser humano não nasce pronto. Claro que uma parte vem junto, uma parte que eu gostaria de chamar de alma, mas tendo a acreditar que seu nome correto seja “pré-disposições genéticas”. A despeito disso, cada um é, necessariamente, um produto do seu meio. Sendo fruto de tudo aquilo que viveu, que leu, que viu, que ouviu, que sentiu, uma pessoa é o que ela é. Diante de uma decisão, até a mais banal delas, uma pessoa (melhor, uma vida) só fica com uma opção. Porque quem ela é não a permite escolher outra coisa. Ela é escrava de sua história, de si mesma. 
Cada um, simplesmente por ser quem é, não possui liberdade.
Diante de uma encruzilhada, um homem deve escolher um dos dois caminhos a seguir. E, segundo seus medos, seu passado, suas inclinações, talvez um filme que viu, ele seguirá por um deles. Não importa se ele escolher o da direita ou o da esquerda, porque, naquele momento, a pessoa que ele era não o deixaria optar pelo outro caminho. 
Assim que se abre mão do livre arbítrio, o sentimento de culpa se torna sem fundamento. Porque quem cometeu o erro não tinha condições, naquele momento, de agir de outra forma. Quem errou não tinha poder sobre si mesmo. 
Ao mesmo tempo que você pode escolher, você não pode. Já que você, sendo você, já tem uma decisão. O livre arbítrio é tão intermitente quanto um rio do nordeste. Ele está ali, fazendo com que todos mantenham a calma, mas temo que seu significado seja figurado.  
 
Autora: Júlia.

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